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2006 |
O tema
para esse ano é Celebrando a Neurodiversidade
(Celebrate
neurodiversity) e uma frase marca este pensamento:
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Viva
a diferença |
Folha
On Line - Coluna Pensata de Luiz Caversan -
04/06/2005 |
Diferente no agir, no pensar, no se comportar, no desejar, no ostentar, neste caso física ou mentalmente. O ostentar, no sentido de exibir aquilo de que se tem a posse, já foi e ainda é motivo de muita guerra e muita morte. O ser diferente por opção, desejo ou orientação diversa daquela da maioria permanece como motivo de segregação, às vezes humilhação, muitas vezes violência. O que poderia ser apenas fruto da ignorância não o é: reflete em geral uma incapacidade atávica do ser humano de conviver com alguma coisa que exponha, na verdade, o que ele considera uma fragilidade da sua espécie ou aquilo que provoca o desentendimento dentro de uma suposta ordem preestabelecida "necessária" e comumente atribuída ao desejo de algo maior, superior a todos. A Deus, por exemplo, perante o qual, aliás, nada é diferente e tudo é ou deveria ser possível, único e necessário. Essa introdução toda é para louvar a iniciativa de um grupo de pessoas que criaram o Dia do Orgulho Autista. São pais, amigos e parentes do portadores desse transtorno de comportamento ainda tão misterioso quanto difícil de se relacionar. Afinal, o portador é aquele indivíduo que vive num mundo só seu, em que tudo o que o cerca - objetos, situações e sobretudo pessoas - nem sequer parecem existir. Por definição técnica, o autismo seria o "desenvolvimento acentuadamente anormal ou prejudicado na interação social e comunicação e um repertório marcantemente restrito de atividades e interesses". O que torna seus portadores indivíduos isolados, como que vivendo num mundo à parte e indiferentes a grande parte das convenções que a eles são apresentadas - para não dizer impostas. E é aí que o grupo do Orgulho Autista argumenta, numa página da internet (http://www.parallax.com.br/anjosdebarro/orgulho): "Os defensores do Orgulho Autista acreditam que a noção de pureza racial, em termos de raça humana como um todo, permeia a ciência médica, que parece refletir uma crença de que todo cérebro humano seria idêntico. Os defensores do orgulho autista alegam que a noção de que haveria uma estrutura ideal e, por isso, desejável para o cérebro humano leva muitos praticantes da psiquiatria a assumir que qualquer desvio requer uma "cura" para conformar à norma neurotípica. Acreditam que, no mínimo, deveria haver maior respeito para com os membros da comunidade autista como indivíduos únicos." E vão além: lembram que a homossexualidade já foi classificada como uma forma de doença mental que poderia ser tratada clinicamente e que esse preconceito foi superado - infelizmente outros ainda persistem - por intermédio de ações como as dos movimentos pelos direitos gays em defesa tolerância social com a diversidade de orientação sexual, dentro de uma postura de orgulho em relação à sua própria condição. Daí a proposta dos amigos dos autistas ao propor o Dia do Orgulho Autista (18 de junho) como uma forma de contrapor estima e respeito ao descaso, ao preconceito, à hostilidade ou o desprezo que a sociedade moderna reserva para o que é diferente, diverso e, assim, do seu ponto de vista, incômodo. Autistas junto aos perfeitamente "interados", deprimidos com os contentes, negros mais brancos, homos ao lado de heteros, altos, baixos, gordos demais e magros na medida; ricos e pobres com os remediados no meio; espinhentos, dentuços, lindos, feios, apenas bonitos, normais, louros, acajus, punks, clubbers, engravatados; fêmeas, machos, velhos, jovens e os na "flor da idade"; mancos, atletas, para ou tetraplégicos; gagos, mudos, cegos, surdos; obsessivos, compulsivos, tímidos ou medrosos, sensíveis e tudo o mais que possa tornar um ser desigual de um outro ou, melhor ainda, da maioria, só demonstram como a tolerância é a palavra chave para a sobrevivência dentro de uma cultura de paz. Aceitar essas supostas divergências, esses "desvios", tolerá-los, é, sim, um desafio inadiável. O que não se deve é confundir com a aquiescência aos desvios de caráter, tão presentes entre nós, esses impossíveis de serem engolidos. Mas essa
é uma outra história que fica para uma outra vez. |
Fonte: |
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O Dia do Orgulho Autista será celebrado em 18 de junho de cada ano, a partir de 2005. É uma celebração da neurodiversidade dos indivíduos do espectro autista, para promover o conceito de que aqueles identificados como autistas não sofrem de um mal patológico, assim como quem tem a pele escura não sofre de uma doença de pele. |
| Os defensores do Orgulho Autista acreditam que a noção de pureza racial, em termos de raça humana como um todo, permeia a ciência médica, que parece refletir uma crença de que todo o cérebro humano seria idêntico. Os defensores do orgulho autista alegam que a noção de que haveria uma estrutura ideal e, por isso, desejável para o cérebro humano leva muitos praticantes da Psiquiatria a assumir que qualquer desvio requer uma "cura" para conformar à norma neurotípica. Acreditam que, no mínimo, deveria haver maior respeito para com os membros da comunidade autista como indivíduos únicos. | |
| Os defensores do Orgulho Autista lembram que a homossexualidade já foi classificada como uma forma de doença mental que poderia ser tratada medicamente com terapia hormonal de redução da libido. Só o movimento pelos direitos gays, buscando a meta da tolerância social com a diversidade de orientação sexual fez tal classificação se tornar obsoleta. Uma das mais constantes expressões desse movimento é "orgulho gay". O Dia do Orgulho Autista espera dar início ao mesmo processo de educação e ativismo, com as metas de promover os direitos humanos básicos dos autistas e criar um lugar válido para a voz e os talentos desses indivíduos na sociedade moderna. | |
| O Dia do Orgulho Autista é iniciativa de "Aspies for Freedom". Este grupo pelos direitos do autismo visa educar o público em geral com tais iniciativas para acabar com a ignorância dos temas que envolvem a comunidade autista. | |
| O tema para 2005 é "Aceitação; não cura". Haverá um novo tema a cada ano. O principal evento é uma parada em Seattle, Washington, EUA. | |
Fonte: |
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| Traduzido por Argemiro Garcia - autor do site Crônica Autista | |
Apoio e divulgação: |
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O
Dia do Orgulho Autista vem aí |
Press
Booth - Xtvworld Media Junction - 13/5/2005 |
Amy
Nelson escreve:
"Muitas minorias e culturas têm um dia especial com que se identificar e celebrar suas diferenças. Agora, adultos e crianças no espectro autista têm seu próprio dia. O Dia do Orgulho Autista será celebrado globalmente em 18 de junho. Adultos autistas e com a síndrome de Asperger, crianças e suas famílias podem usar o dia para celebrar suas diferenças - muitos planejam um piquenique com os parentes, sair para uma caminhada, ou distribuir panfletos com informações para ensinar as pessoas sobre o autismo e aumentar a consciência sobre o tema. Simples atividades podem parecer a norma para alguns. Entretanto, crianças e adultos autistas podem sofrer de baixa auto-estima na sociedade, uma vez que diferenças óbvias tais como abanar as mãos e a auto-estimulação podem criar estranheza e atitudes negativas no público em geral. O Dia do Orgulho Autista dá uma chance de mostrar o lado positivo das diferenças neurológicas. Uma obra de arte criada por pessoas autistas, na forma de uma colagem, foi planejada para ser exposta no Dia do Orgulho Autista pelo grupo Aspies for Freedom, um grupo que luta pelos direitos civis dos autistas. www.aspiesforfreedom.com Também há um website oficial para o Dia do Orgulho Autista - www.autisticprideday.com que apresenta desenhos e trabalhos artísticos de crianças e adolescentes autistas. Também há uma página de eventos onde qualquer um pode acrescentar seus próprios eventos e torná-los públicos. O tema deste anos é "Aceitação,
não Cura" ("Acceptance not Cure").
Haverá um novo tema a cada ano, e se espera que a celebração
a cada ano aumente e assim cresça em popularidade." |
Fonte: |
| Traduzido por Argemiro Garcia - autor do site Crônica Autista |